Com a chegada do Transplante Capilar pela técnica FUE, houve a possibilidade de se fazer extração de folículos capilares da barba, tórax e membros (também conhecido como body hair transplant), para serem transplantados na área receptora em casos onde calvície se entende por uma área muito avançada, e/ou com área doadora insuficiente para um bom resultado.
No entanto há diferenças gritantes entre os fios da barba e do corpo, com os dos fios da cabeça, tanto em termos de qualidade e textura, quando na duração do ciclo de crescimento.

A barba apesar de possuir crescimento longo, com uma fase anágena longa de 2 a 8 anos, semelhante à do fio da cabeça, ela possui fios com calibre muito espesso e maleabilidade muito diferente dos da cabeça, sendo visualmente ruim para o resultado final do paciente. Já os pelos do corpo, possuem uma curta fase anágena, entre 2 e 4 meses, sendo o motivo pelo qual os mesmos têm um crescimento limitado a poucos centímetros. Apesar do calibre dos pelos corporais serem mais próximos dos que encontramos na cabeça, os mesmo possuem um índice de sobrevivência muito pequeno ao serem transplantados para o escalpo (cerca de apenas 40%), além de um crescimento limitado. A fase de descanso desses folículos também é maior, cerca de 2 meses, ou seja na pior das hipóteses o paciente terá apenas metade dos fios que sobreviverem ao mesmo tempo, pois os fios cresceram por 2 meses e ficaram 2 meses na fase telógena/catágena.

azendo uma análise na prática, muitos profissionais que tentam se promover relatando que fazem transplante de pelos corporais para áreas calvas, geralmente o fazem em pequena escala, apenas por marketing. Particularmente, jamais vi um bom resultado na prática feito apenas com fios corporais, e é por isso isso que prefiro uma melhor abordagem cirúrgica explorando o máximo da área doadora em grandes calvícies, alinhado a uma marcação precisa da área receptora, sendo a menor possível, para gerar um resultado mais denso para o paciente e consequente satisfação, mesmo que seja necessário 2 cirurgias para a alcançar. Porém em casos muito extremos, onde a área doadora é muito pobre, e a calvície do paciente é muito extensa, o usar a barba e pelos corporais como área doadora pode ser uma última opção, desde que o paciente esteja ciente de que os resultados serão limitados e com uma estética inferior, porém mesmo assim deseje ter uma cobertura.